27/02/2026

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Desafios e conquistas delas no século 21

Desafios e conquistas delas no século 21

Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o La Salle Medianeira promove o projeto Mulheres em Foco: Desafios e Conquistas no Século XXI – Uma Reflexão sobre Violência de Gênero e Protagonismo Feminino, envolvendo estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, nos turnos da manhã e da tarde.

Mais do que uma data comemorativa, o 8 de março é um momento de reflexão e posicionamento diante das desigualdades que ainda marcam a realidade das mulheres no Brasil e no mundo. Em 2025, o país registrou aproximadamente 1.518 vítimas de feminicídio, o que equivale a cerca de quatro mulheres mortas por dia. Esse cenário alarmante evidencia a urgência de promover debates sérios e formativos no ambiente escolar, contribuindo para a construção de uma cultura de respeito, equidade e paz.

Ao mesmo tempo, é fundamental reconhecer e valorizar as inúmeras contribuições femininas na ciência, na arte, no esporte, na política e em diferentes áreas do conhecimento. Ao longo da história, muitas trajetórias de mulheres pioneiras foram invisibilizadas ou negligenciadas. Trazer essas histórias à luz não apenas amplia o repertório cultural dos estudantes, mas também inspira novas gerações a romper barreiras e a assumir o protagonismo na transformação social.

Proposta e objetivos

No turno da manhã, sob coordenação das professoras Claudete Webler, Sandra Freitas, Simone Belusso e Tieli Menzel,o projeto visa a conscientização e a reflexão crítica sobre a violência de gênero, o feminicídio e o papel da mulher na sociedade contemporânea. Busca-se estimular o respeito à diversidade, o questionamento de estereótipos e a construção de uma cultura de equidade.

Entre os objetivos específicos estão a análise das causas e implicações sociais da violência contra a mulher, a valorização do protagonismo feminino em diferentes contextos, o desenvolvimento do senso crítico diante de padrões culturais discriminatórios e a produção de materiais educativos e artísticos que sensibilizem a comunidade educativa.

Ações pedagógicas e integração curricular

As atividades propostas articulam diferentes componentes curriculares e linguagens. Nas aulas de Língua Portuguesa e Literatura, os estudantes analisarão trechos da obra É assim que acaba, da autora Colleen Hoover, discutindo temas como relações abusivas, dependência emocional, memória familiar de violência e autonomia feminina. A partir dessas reflexões, serão realizadas exposições e produções textuais com caráter crítico e argumentativo.

Também serão desenvolvidas análises de notícias e conteúdos midiáticos, com problematização de atitudes machistas, misóginas e sexistas. Os alunos produzirão materiais de conscientização, cartas abertas e cartas do leitor, promovendo uma leitura crítica da mídia e ampliando o debate para além da dimensão comemorativa da data.

Na área das Ciências, as turmas discutirão o papel das mulheres na produção científica ao longo da história, abordando a exclusão feminina dos espaços acadêmicos, o apagamento de pesquisadoras e as desigualdades estruturais ainda presentes na Ciência. Serão destacadas contribuições de mulheres brasileiras na pesquisa contemporânea, reforçando a importância do reconhecimento e da representatividade.

No campo da Educação Física, o projeto contemplará a exibição do documentário De Virada, que aborda as dificuldades enfrentadas por mulheres no futebol brasileiro. A partir dele, os estudantes refletirão sobre preconceito, desigualdade salarial, representatividade e equidade de gênero nas práticas esportivas. Também serão realizados trabalhos sobre mulheres de grande relevância no esporte nacional, incentivando o reconhecimento de trajetórias muitas vezes pouco divulgadas.

A área de Artes contribuirá com produções inspiradas em mulheres do cotidiano dos próprios alunos, valorizando histórias reais e promovendo um olhar crítico sobre a representação feminina na sociedade. As obras produzidas integrarão exposições na escola, alinhando conteúdos curriculares, como Realismo e Dadaísmo, à temática social proposta.

Além disso, rodas de conversa orientadas proporcionarão espaços de escuta, diálogo e empatia, estimulando os estudantes a refletirem sobre experiências próximas à sua realidade e a compreenderem a diferença entre preconceito individual e desigualdade estrutural.

No turno da tarde, as ações serão organizadas pela respectiva coordenação, contando com a participação de todos os professores, em consonância com os princípios e objetivos do projeto. A proposta é garantir unidade temática e aprofundamento das discussões, respeitando as especificidades de cada turma.

Compromisso com a formação cidadã

Com o projeto “Mulheres em Foco”, a escola reafirma seu compromisso com a educação integral e com a formação de cidadãos críticos, conscientes e comprometidos com a justiça social. 

Segundo a coordenadora pedagógica da manhã, Marlete Gut, ao promover o debate sobre violência de gênero e, simultaneamente, valorizar o protagonismo feminino, busca-se contribuir para a construção de uma sociedade mais igualitária, na qual o respeito e a dignidade sejam princípios inegociáveis. 

“Mais do que marcar uma data no calendário, queremos fortalecer valores, inspirar atitudes e ampliar horizontes. Porque educar também é transformar realidades”, aponta.

 

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