Em 14 de março, no Teatro Abel, aconteceu o Dia ANEC Niterói 2026. A abertura do ano letivo das escolas católicas de Niterói é uma manhã de comunhão e fraternidade, onde colaboradores pedagógicos e administrativos de diferentes escolas se unem para discutirem sobre a missão de educar as crianças e adolescentes. A missa de abertura foi presidida pelo Arcebispo da cidade, Dom José Francisco, com a presença do Bispo Auxiliar Dom Geraldo. Cerca de 550 pessoas se inscreveram para o Dia ANEC, divididas entre as escolas La Salle Abel, Escola La Salle Rio de Janeiro, os Salesianos Santa Rosa e Região Oceânica, São Vicente de Paulo, o Assunção, o Nossa Senhora das Mercês, além de instituições convidadas de Maricá e São Gonçalo.
A manhã de sábado foi de partilha entre as escolas. Durante a missa, Dom José trouxe a parábola do Fariseu e do Publicano, este, que além de cobrar impostos da população, cobrava a mais para o bem de si mesmo. Já aquele, um cumpridor fiel da lei. Porém, ao entrarem no templo para rezar, o fariseu se vangloriou de fazer o correto, enquanto o publicano se arrependeu verdadeiramente. “Isso nos mostra a importância de sempre reconhecer que tudo aquilo que nós temos e somos, também é graça e dom do Senhor. Devemos agradecer e pedir ao Senhor que, apesar das nossas fraquezas, nós também possamos ser canais do seu amor, da sua misericórdia, especialmente no trabalho que exercemos na educação.
Ao longo do evento, o nosso diretor, Irmão Jardelino Menegat, pontuou aos ouvintes o diferencial de todas as escolas ali presente: não era o ensino ou qualquer outra metodologia, mas sim, quem guia toda a missão educativa cristã: “Oferecer educação de qualidade é obrigação de qualquer escola. Então, nós temos que ser escolas de qualidade, mas precisamos mostrar que a presença de Deus existe no dia-a-dia, nos valores, princípios, é o nosso diferencial. Divulguemos isso, e não faltará alunos nas nossas escolas”.
Quando cuidaremos de nós?
Na palestra da Irmã Maribel Pérez, convidada para o Dia ANEC 2026, ela levou a plateia a refletir sobre o cuidado dos educadores consigo mesmos. Na correria do dia a dia escolar, às vezes, os colaboradores pedagógicos e administrativos podem esquecer de fazerem algo pela saúde física e mental de si próprios: “Para ajudar o outro, eu preciso primeiro me colocar em primeiro lugar. E isso é muito difícil, porque a nossa própria fé, ela ensina que devemos nos colocar em último lugar. Jesus fala isso e eu não vou dizer o contrário. Nós devemos sim estar em último lugar no sentido de não podermos nos colocar acima de ninguém. Mas também existe o mandamento que nós devemos amar o outro como a si mesmo. Por que então nós esquecemos a si mesmo?".
Irmã Maribel trouxe um assunto importante também para ela: em seu relato, contou que, anos atrás, a renúncia em cuidar de si mesma resultou em exaustão física e mental. Missionária no Brasil há 20 anos, ela é fundadora da Fraternidade Talítha Kum, dedicada ao resgate e à promoção da dignidade de pessoas em situação de prostituição. Um trabalho que demanda um esforço físico e emocional, além do espiritual. “Cheguei ao ponto de ficar extremamente cansada. Eu já não conseguia rezar bem, não conseguia me encontrar com Deus como eu queria, eu tinha enxaquecas, dores de cabeça intermináveis. Eu só conseguia ficar no escuro e nesses dias eu não conseguia mais ajudar quem eu queria”, relatou Maribel.
Foi no esporte que ela renovou suas forças para então se entregar à missão com ainda mais dedicação. Nas aulas de natação, realizou um sonho de infância: aprender a nadar. Não apenas aprendeu como virou triatleta. “Hoje a minha vida tem duas prioridades, a oração e o esporte. Depois o que eu preciso fazer. Porque a partir dessas duas coisas eu vou produzir muito mais. E ainda, às vezes, eu deixo de fazer. Eu falo: “Eu não vou correr porque eu tenho que atender mais duas pessoas". Eu me arrependo totalmente. Porque essas duas pessoas que atendi quando deixei de correr, eu não consegui escutá-las, pois você chega ao esgotamento”.
Irmã Maribel explicou a todos presentes a importância da busca por um equilíbrio, onde a prioridade não é dar conta de todas as obrigações existentes, mas jamais excluir o autocuidado, tão fundamental para que as outras áreas da vida aconteçam. “A vida vai nos absorvendo e passamos por ela fazendo tantas coisas e não fazemos o essencial, que é sermos nós mesmos. Vivermos a nossa essência e a partir disso, sim, nós vamos viver plenamente a vida cristã. Deus nos deu um tesouro, a nossa vida, porque ninguém mais é igual a nós. Somos únicos”.
Por isso, não se pode esquecer que o cotidiano escolar, com seus desafios e renúncias, não é só parte de uma missão educativa, como também a tradição da igreja, que é por natureza missionária e pedagoga. “Tradição esta que nasce concomitantemente ao envio missionário dado por Jesus aos seus apóstolos. 'Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura'. Essa é a nossa missão educativa e por meio do ensino e da formação integral, cada um de nós, educadores das escolas católicas, somos chamados a concretizá-la, dizia o Papa Leão”, explicou o Padre Pedro, capelão do Centro Universitário La Salle Rio de Janeiro.
“A educação não é uma atividade acessória na vida da igreja, mas é o modo concreto pelo qual o evangelho se torna gesto educativo, relação e com cultura. O Senhor ressuscitado conta com vocês, irmãos e irmãs. As variadas expressões dos carismas educativo que agem em nome da igreja contam com cada um de vocês no cotidiano e no chão da escola, na vivência com os estudantes que são confiados por Deus a vocês para que, por meio dos vossos gestos, palavras e testemunho, vejam o rosto e a luz de Cristo. Expressando que a nossa força e identidade está na comunhão e unidade, dando-nos as mãos uns aos outros, porque nós compomos uma só comunidade educativa católica”.
Por Maria Eduarda Barros
Fotos por Comunicação e Marketing La Salle Abel
Comunicação e Marketing La Salle Abel