25/10/2018 - 15:55
Você não se torna mais inovador porque usa moletom amarrado na cintura.

Publicitária Luciana Braun Reis

No texto anterior eu trouxe que a Economia Criativa (EC) é um tema que contribui e dialoga não apenas com as profissões originalmente denominadas criativas. E criatividade é essencial para encontrar e solucionar problemas, independente da área de atuação.

Logo, se é uma área que pode contribuir com todas, também precisamos de todos: da multiplicidade de olhares, análises, experiências. Além disso, é válido repensar a ideia inicial de associar somente jovens à inovação. A inovação não aumenta porque você usa um moletom amarrado na cintura. Sim, jovens são muito (muito mesmo) bem-vindos, essenciais, mas não só eles.

A diversidade é um dos norteadores da EC, inicialmente a diversidade cultural. Se compreendermos cultura de forma abrangente, na maneira como pensamos e materializamos ideias - sim, precisamos de diferentes pessoas – histórias de vida, idades, profissões, costumes, lugares (e muito mais) para formarmos visões abertas sobre como problemas se constituem, e quais oportunidades eles nos abrem para enxergarmos soluções inovadoras. Segundo Florida[1] (2011), uma das maiores contribuições da classe criativa é não somente fazer algo melhor, mas repensar se o que estamos fazendo ainda é necessário. Ou seja, se temos mais opções de caminhos a percorrer, também temos novas formas de avançar.

“O comércio da pimenta, [...] foi desestruturado não por um condimento melhor, mas pelo advento da refrigeração.”[2] Logo, a estrutura, o tamanho do setor, quem eram os concorrentes diretos, se todo o mercado de produzir a melhor pimenta estava certo ou errado, não interessava mais. A nova variável e ameaça à sustentabilidade estabelecida veio de outro setor, outras linguagens e outros modos de pensar sobre como resolver o problema fundamental da preservação de alimentos.

Precisamos abrir as bolhas das relações confortáveis, que nos asseguram que estamos certos, concordam conosco e compreender que ideias fora dessa extensão podem iluminar novas áreas. O pensamento único é tão danoso quanto a certeza a que ele conduz. É como um trem que ao ganhar cada vez mais força e velocidade, nos leva para um lugar que não admitimos ou consideramos, simplesmente por não enxergarmos a existência.

Então, uma boa forma inovar é procurar um grupo diverso de pessoas, perguntas, pontos de vista, experiências para compartilhar. Você não se torna mais inovador pela sua aparência, ou como brinquei - por usar um moletom amarrado na cintura - mas sim, por dialogar e construir cenários complexos, tão ricos quanto a diversidade que você vivenciar.

Esse encontro pode ser o Workshop de Inovação e Economia Criativa na Faculdade LaSalle, dia 23 de novembro, em Estrela.



[1]FLORIDA, Richard. A Ascensão da Classe Criativa. 2011, L&PM

[2]CHEVREUX, Laurent; LOPES, Jose; MESNARD, Xavier. As melhores empresas sabem equilibrar estratégia e propósito. Harvard Business Review Brasil. 2017. disponível emhttps://hbrbr.uol.com.br/equilibrar-estrategia-e-proposito/

 



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